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Portfólio Projetos - Atuais projetos no
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Atualmente, a DNDi possui nove projetos no seu portfólio em estágios diferentes
de desenvolvimento para atender as necessidades de tratamento da leishmaniose
visceral, doença do sono, doença de Chagas e malária.
1. Leishmaniose visceral
O tratamento principal para casos de leishmaniose visceral ainda é o
estibogluconato de sódio, um composto antimonial extremamente tóxico que exige
hospitalização durante todo o mês de tratamento. Além disso, a resistência cada
vez maior ao medicamento ameaça torná-lo ineficaz. A principal alternativa, a
anfotericina B, está associada a sérios efeitos adversos, e também só pode ser
administrada em hospital. Outras alternativas permanecem inacessíveis aos
pacientes, ou por serem muito caras ou por não estarem registradas no país.
Claramente, novas pesquisas são necessárias para garantir que novos e melhores
tratamentos sejam desenvolvidos. A DNDi está trabalhando atualmente na
validação da enzima cinetoplastida dihidrofolato redutase, como
alvo terapêutico, e na identificação de inibidores
da enzima tripanotiona redutase.
Mas esses são projetos de longo prazo, e é fundamental melhorar a situação dos
pacientes de leishmaniose o mais rápido possível. Por isso a DNDi está apoiando
ensaios pré-clínicos e clínicos, tais como: avaliar a possibilidade de
terapia combinada com medicamentos já
utilizados que possam melhorar o tratamento, ajudando no combate à resistência,
e trabalhar para o registro da
paromomicina nos países endêmicos.
2. Doença do sono
Existem apenas alguns poucos medicamentos para tratar a tripanossomíase humana
africana, a doença do sono, e estes são ou tóxicos ou de difícil administração:
o melarsoprol mata um em cada vinte pacientes tratados, e a eflornitina é uma
infusão que deve ser administrada quatro vezes ao dia durante 14 dias. Diante
das limitadas opções de tratamento, a DNDi está buscando identificar novos
compostos que possam atravessar a barreira hematoencefálica para tratar o
segundo estágio da doença do sono. Para isso, estão sendo realizados ensaios de
atividade em larga escala robotizados ("high-throughput screening") que possam
identificar novos compostos ativos ("lead compounds"), que atuem como
inibidores dos tripanossomas, e está trabalhando para
identificar e otimizar inibidores da
farnesiltransferase. O trabalho mencionado acima pretende
validar a dihidrofolato redutase como um alvo terapêutico, e os inibidores de
tripanotiona como relevantes para os tripanossomas.
Novamente esses são projetos de longo prazo. O nifurtimox,
um medicamento usado para a doença de Chagas, vem sendo utilizado para tratar
pacientes com doença do sono desde os anos 70 em algumas áreas específicas.
Nunca foi administrado em um número maior de pessoas porque a sua segurança e a
sua eficácia não foram ainda estudadas. A DNDi reconhece a necessidade de
realizar ensaios clínicos para avaliar a utilidade da combinação de eflornitina
e nifurtimox, e também a necessidade de continuar explorando outros projetos de
curto e médio prazos para a doença do sono.
3. Doença de Chagas
Nifurtimox e Benzonidazol são os dois únicos medicamentos disponíveis para o
tratamento da doença de Chagas. Devido à duração (1-2 meses) e aos efeitos
adversos, os pacientes freqüentemente abandonam o tratamento. Além disso,
nenhum desses medicamentos é eficaz para a fase crônica da doença.
Como a patogênese da doença de Chagas ainda não é compreendida por completo,
mais pesquisas básicas são necessárias para definir uma estratégia de
tratamento. A DNDi está trabalhando com especialistas para identificar as
necessidades e definir uma estratégia científica em P&D que possa atender a
essas necessidades. Enquanto isso, a DNDi usará o trabalho que está sendo feito
para a doença do sono - a validação da
dihidrofolato redutase e a identificação do
inibidor de tripanotiona - para buscar possíveis lead compounds
para Chagas.
4. Malária
Comparada às doenças extremamente negligenciadas, a impressão é que há inúmeros
medicamentos disponíveis para a malária. Mas, o crescimento da resistência aos
medicamentos está fazendo com que a maioria deles se torne obsoleta.
Especialistas concordam que o tratamento mais eficaz disponível no momento é
usar uma terapia à base de artemisinina (ACT, sigla em inglês para
artemisinin-based combination therapy). Os derivados da artemisinina são
altamente eficazes contra a malária, e seu uso na forma de combinações consegue
expandir enormemente a duração de ação (meia-vida) de cada um dos medicamentos
individuais utilizado. A combinação em doses fixas, onde dois medicamentos são
colocados num único comprimido, torna o tratamento muito mais fácil de ser
administrado, aumenta a adesão ao tratamento e revela os benefícios da terapia
combinada. Mas apenas um ACT está disponível no momento na forma de combinação,
o Coartem (artemeter-lumefantrina). Embora seja muito eficiente, o Coartem é
bastante caro e pode provocar efeitos adversos gástricos. A DNDi está
trabalhando para testar, registrar e introduzir as combinações de doses fixas
de artesunato-amodiaquina para
utilização na África e de artesunato-mefloquina
para utilização na Ásia e na América Latina. Essas combinações já demonstraram
uma eficácia excelente e taxas de cura rápida com tolerância aceitável, quando
usadas em associações livres. As combinações foram formuladas e os ensaios
clínicos já foram iniciados na Tailândia e em Burkina Faso. |
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