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Doenças Negligenciadas |
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As doenças negligenciadas são doenças que afetam milhares de
pessoas ao redor do mundo, mas que não dispõem de tratamentos eficazes ou
adequados. Em sua maioria, são doenças tropicais infecciosas que afetam
principalmente pessoas pobres, a exemplo da leishmaniose, da doença do sono, da
malária, e da doença de Chagas, que geram um impacto devastador sobre a
humanidade. Há um grande volume de trabalhos científicos que tratam da
biologia, imunologia e genética dos parasitas causadores destas doenças, porém
todo esse conhecimento não consegue se reverter em novas ferramentas
terapêuticas para as pessoas afetadas. Ao contrário, tais doenças têm sido
progressivamente marginalizadas por aqueles encarregados pelos programas de
pesquisa tanto do setor público quanto do privado, essencialmente porque as
pessoas que sofrem de doenças negligenciadas são pobres, e não oferecem um
retorno lucrativo suficiente para que a indústria farmacêutica invista em
pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos voltados para essas doenças.
Fica claro, portanto, que a crise de falta de medicamentos para doenças
negligenciadas não chegou às atuais proporções por falta de conhecimento
científico, e nem somente pelo hiato entre a pesquisa básica e a pré-clínica.
Esta crise é o resultado tanto das insuficientes políticas públicas voltadas
para P&D de medicamentos de interesse nacional dos países em
desenvolvimento, quanto da falha de mercado, provocada pelo baixo interesse
econômico que esses pacientes representam para a indústria. |
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Doenças Negligenciadas x Doenças Extremamente
Negligenciadas |
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Um olhar para as dinâmicas da falha de mercado para estas
doenças revela que se pode fazer, ainda, uma distinção entre doenças
"negligenciadas" e "extremamente negligenciadas".
As doenças negligenciadas podem também afetar indivíduos dos países ricos, como
pacientes com tuberculose e pessoas que contraem malária em viagens, para as
quais a indústria farmacêutica baseada em pesquisa tem interesse apenas
marginal.
No caso das doenças "extremamente negligenciadas", como a doença do sono, a de
Chagas e a leishmaniose, os pacientes são tão pobres que praticamente não
possuem poder de compra, e nenhuma manipulação das forças de mercado poderá
estimular o interesse das empresas farmacêuticas.
As Doenças Globais, como o câncer, doenças
cardiovasculares, doenças mentais e distúrbios neurológicos representam a maior
concentração de P&D da indústria farmacêutica. Apesar de elas afetarem
tanto os países desenvolvidos quanto os em desenvolvimento, nestes a maioria
das pessoas que necessitam de medicamentos para tratar essas doenças não pode
pagar por elas e, por conseguinte, não é atendida pelo mercado farmacêutico.
As Doenças Negligenciadas, como a malária,
provocam um interesse apenas marginal na indústria farmacêutica baseada em
pesquisa. Embora também afetem indivíduos dos países ricos, como pacientes com
tuberculose e pessoas que contraem malária em viagens, essas doenças afligem
primordialmente as populações dos países em desenvolvimento.
As Doenças Extremamente Negligenciadas,
como a doença do sono, a de Chagas e a leishmaniose, afetam exclusivamente as
populações dos países em desenvolvimento. Como a maioria desses pacientes é
pobre demais para pagar qualquer tratamento, eles não representam praticamente
nenhum mercado e a maioria fica excluída do escopo dos esforços de P&D da
indústria de remédios e, portanto, fora do mercado farmacêutico.
A zona acinzentada representa a parcela do Mercado Farmacêutico Mundial referente a produtos voltados para condições que são diferentes das puramente
médicas (como celulite, calvície, rugas, dietas, estresse e problemas de
adaptação a fuso horário), que, no entanto, constituem um segmento de mercado
altamente lucrativo nos países ricos. |
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