|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Perguntas mais freqüentes |
|
 |
|
A Iniciativa de Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi)
é uma entidade independente, sem fins lucrativos que irá desenvolver
medicamentos e outras ferramentas de saúde para as pessoas que sofrem de
doenças negligenciadas - doenças que ficam à margem do mercado de P&D, por
afetarem populações empobrecidas de países em desenvolvimento que não
constituem um mercado atrativo para a indústria farmacêutica. A DNDi vai
aproveitar a capacidade científica e de P&D existente para desenvolver
medicamentos urgentemente necessários para as doenças negligenciadas e garantir
que esses medicamentos sejam apropriados e acessíveis para os pacientes mais
pobres do mundo. Veja abaixo as perguntas mais freqüentes.
1- Como surgiu
a idéia de se criar a DNDi?
2- O que são exatamente Doenças
Negligenciadas?
3- As doenças negligenciadas podem
ser tratadas?
4- As Parcerias Público-Privadas
(PPP) já não estão trabalhando em prol das doenças negligenciadas? Como a DNDi
se diferencia desse trabalho?
5- Então, o que exatamente a DNDi
está fazendo?
6- Quem criou a DNDi?
7- Como a DNDi identifica os
projetos?
8- Quanto tempo levará para que a
DNDi desenvolva medicamentos para essas doenças? Quanto irá custar?
9- Como a DNDi vai pagar por isso?
10- A quem DNDi vai pedir recursos?
11- Como as indústrias farmacêuticas
irão contribuir com a DNDi?
12- De quem serão os medicamentos
que a DNDi desenvolver?
13- Quando a DNDi foi registrada, e
onde fica estabelecida?
1- Como surgiu a idéia de se criar a DNDi?
Em 1999, observando a falta de medicamentos efetivos para algumas doenças
típicas de regiões empobrecidas, a organização humanitária Médicos Sem
Fronteiras (MSF) reuniu uma equipe de especialistas internacionais para estudar
a crise de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de medicamentos para doenças
negligenciadas. Este grupo de trabalho analisou os motivos desta crise, e por
meio de estratégias alternativas para garantir o desenvolvimento de novos
medicamentos para as doenças negligenciadas, recomendou a criação desta
iniciativa, a DNDi.
2- O que são exatamente Doenças Negligenciadas?
Doenças negligenciadas, como malária e tuberculose, afetam principalmente
pessoas em países pobres. Um mercado pequeno de medicamentos para essas doenças
existe já que os países desenvolvidos também são, embora minimamente, afetados
(por exemplo, pessoas que contraem malária durante viagens).
Doenças extremamente negligenciadas, como doença do sono, doença de Chagas,
leishmaniose, úlcera Buruli, entre outras, afetam quase que exclusivamente as
pessoas em países em desenvolvimento que são pobres demais para arcar com os
custos do tratamento. Esses pacientes são tão empobrecidos que sequer
constituem um mercado que possa atrair investimentos em P&D de
medicamentos.
3- As doenças negligenciadas podem ser tratadas?
Sim. Medicamentos para algumas dessas doenças até existem, mas são, em sua
maioria, ultrapassados (alguns foram desenvolvidos há 70 anos), tóxicos e cada
vez menos efetivos por causa da resistência. Alguns medicamentos têm efeitos
colaterais que podem debilitar ou mesmo matar o paciente. Novas iniciativas de
P&D são urgentemente necessárias para oferecer a esses pacientes
negligenciados uma variedade maior de tratamentos seguros, efetivos e adaptados
às suas necessidades específicas.
4- As Parcerias Público-Privadas (PPP) já não estão
trabalhando em prol das doenças negligenciadas? Como a DNDi se diferencia desse
trabalho?
Os esforços internacionais mais recentes para reativar a P&D de
medicamentos para as doenças negligenciadas vêm focalizando principalmente
doenças como a malária, a tuberculose e o HIV/aids - doenças que também estão
presentes em países desenvolvidos ou que têm um mercado para os viajantes.
Esses esforços estão baseados fortemente em mecanismos de incentivos de
mercado, incluindo as parcerias público-privadas (PPP). Mas essas estratégias
terão um impacto limitado nas doenças extremamente negligenciadas, como a
doença do sono, a doença de Chagas ou a leishmaniose, já que os pacientes que
sofrem dessas doenças são extremamente pobres e nunca representarão um mercado
atrativo para novos medicamentos. É para essas doenças que uma iniciativa como
a DNDi é especialmente necessária.
Ao contrário das PPPs, a DNDi tem como objetivo tirar do mercado o
desenvolvimento de medicamentos para doenças negligenciadas, encorajando o
setor público a assumir maior responsabilidade. A composição da DNDi reflete
este objetivo, já que os Parceiros Fundadores da iniciativa incluem quatro
grandes instituições públicas de pesquisa: a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ),
do Brasil, o Conselho Indiano de Pesquisa Médica, o Ministério da Saúde da
Malásia e o Instituto de Pesquisa Médica do Quênia.
5- Então, o que exatamente a DNDi está fazendo?
A DNDi está desenvolvendo medicamentos para as doenças negligenciadas sem
interesse de lucro, focalizando inicialmente em três doenças extremamente
negligenciadas: doença do sono, doença de Chagas e leishmaniose. Para alcançar
seus objetivos, a DNDi está trabalhando para construir um portfólio de projetos
que seja baseado nas necessidades de saúde dos pacientes negligenciados e
extremamente negligenciados e não no lucro. Além disso, a DNDi está alertando a
sociedade para a falta de P&D para doenças negligenciadas e, usando e
fortalecendo a capacidade de P&D existente em países onde essas doenças são
endêmicas.
A DNDi tem atualmente nove projetos no seu portfólio em estágios diferentes de
desenvolvimento. Seus projetos em curto prazo são: desenvolver combinações de
doses fixas de artesunato/amodiaquina e artesunato/mefloquina para tratar
pacientes de malária resistentes à cloroquina; registrar a paromomicina para
uso contra a leishmaniose visceral na África; avaliar combinações de
medicamentos para tratar a leishmaniose visceral; e avaliar a utilidade do
nifurtimox em combinação com eflornitina no tratamento da doença do sono. Em
longo prazo, a DNDi está trabalhando no sentido de: comprovar que a enzima
cinetoplastida dihidrofolato redutase pode ser um alvo em potencial para a
doença de Chagas, a doença do sono e para a leishmaniose; identificar os
inibidores da tripanotiona redutase e inibidores de farnesiltransferase; e
realizar ensaios de atividade em larga escala robotizados ("high-throughput
screening") sobre a célula inteira dos parasitas tripanossomas para descobrir
novos compostos ativos tidos como "protótipos" ("lead compounds").
6- Quem criou a DNDi?
Seis Parceiros Fundadores de instituições das áreas humanitária, de pesquisas
em saúde, e governamentais uniram suas forças para criar a DNDi:
Médicos Sem Fronteiras
Fundação Oswaldo Cruz/Fiocruz (Brasil)
Conselho Indiano de Pesquisa Médica (Índia)
Instituto Pasteur (França)
Ministério da Saúde da Malásia (Malásia)
Instituto de Pesquisa Médica do Quênia (Quênia)
A DNDi também trabalha em colaboração com o PNUD/Banco Mundial/Programa
Especial de Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais da Organização Mundial
de Saúde (OMS/TDR), que tem status de observador permanente, e busca ainda
garantir uma representação de pacientes. Cada parceiro contribui ou com apoio
financeiro ou com sua estrutura própria de pesquisa, representando e agregando
apoio para os interesses da DNDi em nível mundial.
7- Como a DNDi identifica os projetos?
A DNDi utiliza dois tipos de abordagem:
Identificação pró-ativa das necessidades de saúde e oportunidades de P&D
em andamento por meio de consultas especializadas, buscas de literatura
específica, encontros científicos e debates; e
Chamada de Projetos, requisitando propostas que enfoquem doenças específicas
ou determinados tópicos de pesquisa.
Uma quantidade enorme de respostas tem sido recebida utilizando essas duas
abordagens, revelando que, na verdade, está se fazendo ciência para essas
doenças. O que falta é a estrutura para implementá-la – e isso é exatamente o
que a DNDi oferece. O Comitê Consultivo Científico da DNDi é responsável pela
seleção dos projetos mais promissores e por submetê-los à aprovação do Conselho
de Diretores.
8- Quanto tempo levará para que a DNDi desenvolva
medicamentos para essas doenças?
Quanto irá custar? Ao final de 12 anos, a DNDi espera ter entre 6 e 7
medicamentos registrados e 8 projetos no pipeline. O custo estimado é de cerca
de 250 milhões de dólares para este período. Este orçamento inclui o custo de
trabalhar em vários outros compostos que não conseguirão chegar ao final do
pipeline. Para reduzir custos, a DNDi irá desenvolver medicamentos de compostos
existentes e capitalizar os recursos e a capacidade científica existentes.
9- Como a DNDi vai pagar por isso?
O financiamento inicial da DNDi veio de MSF, organização humanitária da área de
saúde que é um dos fundadores da DNDi. A organização investiu recursos
suficientes para apoiar as ações da DNDi por cinco anos. Durante este tempo, a
iniciativa irá gradualmente iniciar a busca de recursos de fontes públicas e
privadas de acordo com a necessidade de cada projeto.
10- A quem DNDi vai pedir recursos?
A DNDi está focalizando primeiramente no setor público, já que acreditamos que
este setor deva assumir a responsabilidade de atender as necessidades dos
pacientes extremamente negligenciados. Os financiadores consistirão em doadores
públicos, tais como governos nacionais e/ou regionais; a União Européia;
organizações internacionais; financiadores privados como fundações privadas
especializadas e grandes doadores individuais; os fundadores da DNDi; e o
público em geral.
11- Como as indústrias farmacêuticas irão contribuir com a
DNDi?
Existem três tipos de indústria farmacêutica: empresas multinacionais, empresas
em países endêmicos, e empresas de biotecnologia. Todas as três poderão
contribuir com a DNDi de diferentes formas, principalmente oferecendo acesso às
suas bibliotecas de compostos e ao seu conhecimento científico e tecnológico, e
se envolvendo na implementação de projetos e nos estágios finais da produção de
medicamentos.
12- De quem serão os medicamentos que a DNDi desenvolver?
Como uma organização independente sem fins lucrativos, a DNDi tentará garantir
que os produtos, resultados das pesquisas, sejam disponibilizados como
mercadorias públicas, sempre que possível.
13- Quando a DNDi foi registrada, e onde fica
estabelecida?
A DNDi foi registrada como uma fundação no dia 3 de julho de 2003. O escritório
da DNDi fica em Genebra, Suíça, mas sua atuação é global, através das chamadas
liaisons que atuam regionalmente. A DNDi busca catalisar a P&D para as
doenças negligenciadas, capitalizando a maior quantidade de recursos possíveis
tanto do setor público quanto das indústrias farmacêuticas em todo o mundo.
|
|
|
|
|