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DNDi en la prensa

Agência Estado [08 de junho de 2005]
Oito países recolhem adesões a apelo por mais remédio para doenças de países pobres
Por Karine Rodrigues

Rio, 8 (AE) - Um apelo mundial para reduzir as 35 mil mortes diárias por doenças infecciosas como malária, Chagas e leishmaniose foi lançado hoje em oito países de cinco continentes. Divulgada pela Fundação DNDi (sigla, em inglês, para Iniciativa de Medicamentos para Doenças Negligenciadas), a campanha pretende recolher assinaturas para uma petição pública internacional. O objetivo é pressionar os governos a estabelecerem novas regras em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos, vacinas e diagnósticos de males típicos dos países em desenvolvimento, que, por atingirem populações pobres, recebem pouca atenção da indústria farmacêutica.

Durante o lançamento no Rio, Michel Lotrowska, da ONG Médicos Sem Fronteiras, ressaltou que o quadro de desequilíbrio atual requer a criação de novas regras relacionadas aos direitos de propriedade intelectual para ser reduzido. Os medicamentos para doenças tropicais e a tuberculose são apenas 1% dos aprovados entre 1975 e 1999. "Além disso, precisamos de verbas específicas, algo em torno de R$ 3 bilhões anuais, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas", afirmou.

A negligência em relação a determinados males é tão grande que a doença do sono, existente apenas no continente africano, só pode ser tratada com um medicamento, que tem mais de 100 anos e é tóxico a ponto de matar um a cada 20 pacientes. "O remédio é feito com derivado de arsênico. Para se ter uma idéia, não pode ser injetado em seringas plásticas, pois ela acaba derretendo. Precisamos, urgentemente, de um medicamento novo", destacou Christina Zackiewicz, coordenadora de pesquisa da DNDi para América Latina, entidade sem fins lucrativos formada por institutos públicos de pesquisa, como a Fundação Oswaldo Cruz, no Brasil, e o Instituto Pasteur da França.

A situação em relação à malária também é desanimadora. Anualmente, ela mata mais de 1 milhão de pessoas - 400 mil só no Brasil. "O medicamento existente também é muito antigo. Com isso, há muita resistência do organismo. A cada 30 segundos, uma criança morre de malária no mundo", observou Christina, relatando que os dados são chocantes quando o assunto é Doença de Chagas e leishmaniose, tratadas com produtos caros e difíceis de usar.

Para forçar uma mudança mundial, foi lançada a página www.researchappel.org, na qual o internauta pode assinar o apelo da DNDi, que será apresentado durante a Assembléia Mundial de Saúde, em 2006. "Esta é uma questão política. As pessoas que estão assinando são muito representativas e empenhadas na causa. Já temos 15 vencedores de Prêmio Nobel", disse, referindo-se, por exemplo, ao inglês John Sulston (Nobel de Fisiologia em 2002) e José Ramos-Horta (Nobel da Paz em 1996), entre outros.

Criada há dois anos, por iniciativa da Médicos Sem Fronteiras, a fundação conseguiu uma vitória importante em abril, quando obteve, do laboratório privado Sanofi-Aventis, o compromisso de produzir e distribuir, a partir do ano que vem, um medicamento para malária que é mais acessível e fácil de tratar. "Ele vai ser comercializado a preço de custo. Além disso, há o compromisso de que seja fabricado para atender a demanda mundial", anunciou Christina.

Fonte: Agência Estado
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