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Reuters [08 de junho de 2005]
Cientistas pedem ações para tratar doenças negligenciadas
Por Reuters
Os governos de todo o mundo deveriam dar 3 bilhões de dólares por ano para financiar pesquisas sobre doenças negligenciadas, disse na quarta-feira um grupo de importantes cientistas e entidades beneficentes.
O britânico John Sulston, pioneiro no sequenciamento do genoma humano e Nobel de Medicina em 2002, disse que os políticos devem combater o grave desequilíbrio no atual modelo de desenvolvimento de medicamentos.
Segundo a Iniciativa por Drogas para Doenças Negligenciadas, apenas 10 por cento dos recursos relativos a pesquisas de saúde vão para doenças que respondem por 90 por cento do ônus clínico global.
Doenças infecciosas que matam milhões de pessoas nos países em desenvolvimento a cada ano são tradicionalmente ignoradas por empresas dos países ricos, porque os remédios para tratá-las não dão lucro.
Recentemente, várias ONGs foram criadas para acelerar as pesquisas sobre malária e da tuberculose. Mas essas entidades são em geral patrocinadas por organizações filantrópicas e por doadores individuais, como a Fundação Bill e Melinda Gates.
"A reação continua insuficiente, com um envolvimento apenas marginal dos governos mais ricos", disseram os organizadores da campanha em nota.
Entre os participantes estão também Stephen Lewis, representante especial da ONU para o combate à Aids, a escritora sul-africana Nadine Gordimer, Nobel de Literatura, e Tido von Schoen-Angerer, diretor de pesquisa e desenvolvimento da ONG Médicos Sem Fronteiras.
Eles querem que os líderes mundiais, que participam na próxima semana da cúpula do G8 na Escócia, priorizem as pesquisas sobre doenças negligenciadas. Além de dinheiro, pedem leis que incentivem tais pesquisas, liberalizando a questão das patentes, e marcos regulatórios que acelerem a fabricação de medicamentos essenciais.
O apelo internacional também foi lançado em Nova Délhi, Genebra, Kuala Lampur, Paris, Nairóbi, Rio de Janeiro e Toronto. Uma campanha em todo o mundo, cujos resultados serão apresentados no ano que vem, pretende recolher assinaturas e ampliar o apoio de cientistas, pesquisadores, do público em geral e de personalidades para pressionar os governos a tomar ações concretas em relação a essas doenças.
Fonte: Reuters