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DNDi en la prensa

Gazeta de Ribeirão Preto [12 de abril de 2010] 
Pesquisa traz esperança contra Mal de Chagas
Por Renato Vital
 
Após 40 anos sem uma saída alternativa para a doença de Chagas, um novo medicamento deverá ser testado em pacientes com a doença em meados de setembro. Uma parceria entre o Instituto Oswaldo Cruz (IOC), ligado ao Ministério da Saúde, e a Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, na sigla em inglês), descobriu uma nova molécula que apresentou bons resultados contra o Trypanossoma cruzi, parasita responsável pela doença.

A população de países latino-americanos é a que mais apresenta casos de Chagas. Sendo assim, os primeiros testes devem ser feitos na Bolívia. “Lá há uma parcela importante da população sendo afetada. Acreditamos que é importante fazer essas avaliações em lugares onde as pessoas mais precisam”, disse a coordenadora geral de projetos da DNDi, Isabela Ribeiro    .

Segundo ela, o laboratório tem a expectativa de entrar em processo de registro do medicamento em 2014. “No Brasil, registrar é algo rápido. Se tudo der certo, daqui a quatro anos o medicamento deve ir para as prateleiras”, afirmou a coordenadora.

A nova molécula foi descoberta a partir de um remédio usado para tratar problemas contra fungos. “Foi por meio de testes feitos em tubos de ensaio que percebemos uma atividade satisfatória da molécula contra o Trypanossoma cruzi”, disse Isabela. A pesquisadora explica que o remédio será na verdade uma pró-droga. “Isso quer dizer que, somente quando o composto que desenvolvemos é metabolizado pelo organismo que ele vira realmente um medicamento.”

O Chagas é considerado uma doença negligenciada pois, apesar de afetar uma boa parcela da população —cerca de 8 milhões de pessoas no mundo de acordo com a DNDi—, há poucas maneiras de tratar a doença. “Hoje existem somente dois medicamentos disponíveis no mercado contra Chagas. O tratamento é longo, mas demonstra bom controle da doença. É muito importante que os pacientes diagnosticados façam esse acompanhamento”, disse o pesquisador científico de doenças negligenciadas do Instituto Adolfo Lutz, André Gustavo Tempone.

Veneno de sapo pode ser saída

Outras iniciativas também buscam saídas para a doença de Chagas. O laboratório de toxinologia (sobre uso de toxinas) aplicada em fármacos antiparasitários do Instituto Adolfo Lutz busca na natureza moléculas que possam combater o Trypanossoma cruzi. “Recentemente cadastramos uma toxina da pele do sapo-cururu que apresentou bons resultados contra o Chagas. Apesar de pouco divulgado, o uso de moléculas presentes em venenos animais é muito comum em medicamentos”, explicou o pesquisador científico de doenças negligenciadas André Gustavo Tempone. O pesquisador conta que o processo de testes de medicamentos é longo. “Precisamos ter certeza que o remédio é seguro. Não adianta curar a doença e gerar novos problemas”, disse Tempone. São basicamente três etapas de testes. Primeiramente são feitos testes no laboratório, depois em animais, em seguida em pacientes sadios e por último em pacientes doentes. “Esse processo demora cerca de 14 anos e pode ir tudo por água abaixo na última etapa. É algo muito delicado”, explicou Tempone. (RV)
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