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DNDi na imprensa

O Estado de São Paulo [24 de julho de 2008]
Número de casos de malária na Amazônia cai 34,8% em um ano
Por Alexandre Gonçalves
O número de casos de malária na Amazônia Legal diminuiu 34,8% nos cinco primeiros meses deste ano quando comparado ao mesmo período do ano passado. De janeiro a maio de 2008, foram notificados 121.132 casos da doença, contra 185.983 em 2007. É a queda mais expressiva desde 2005.

O coordenador do Programa Nacional de Controle da Malária do Ministério da Saúde, José Lázaro de Brito Ladislau, aponta que boa parte da redução pode ser explicada pelo aprimoramento do sistema de informação epidemiológica. “Temos dados de mais de 130 mil localidades na região, tanto de casos da doença como de serviços disponíveis para a população”, afirma Brito. “Graças a isso, descobrimos quais regiões demandavam mais investimentos do ministério para diminuir a incidência da doença.”

O médico sanitarista Pedro Tauil, especialista em malária da Universidade de Brasília (UnB), concorda que o banco de dados atualizado foi um dos principais aliados do combate à malária nos últimos anos. “Mais de 50% das pessoas diagnosticam a doença em até 48 horas depois de aparecerem os primeiros sintomas”, afirma Tauil. “É uma prova de que a rede está bem organizada.”

Brito aponta que a diminuição no tempo necessário para realizar o diagnóstico foi importante para tornar o programa mais eficiente. “Quanto mais cedo você cura, menor é a chance de o mosquito picar o doente e transmitir a malária para outra pessoa.”

Ele também atribui a queda na incidência à inclusão do medicamento artesunato-mefloquina (ASMQ) ao programa. O ASMQ é utilizado desde o ano passado no tratamento da malária causada pelo Plasmodium falciparum - responsável por 16% dos casos no Brasil. Como o P. falciparum causa a forma mais agressiva da doença, o número de internações diminuiu 45,8% nos cinco primeiros meses do ano: de 2.910, em 2007, para 1.576, em 2008.

Tauil explica que a maior vantagem do ASMQ é a sua boa aceitação pela população. “Ao contrário dos remédios utilizados antes, ele não causa efeitos colaterais como dor de cabeça e náuseas. Além disso, o tratamento dura só três dias”, afirma. Inicialmente, o produto era importado. Desde abril, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) produz o medicamento.

Tauil considera pouco provável uma “ajuda” de fatores ambientais como chuva e temperatura para a diminuição da incidência da doença.

SOBE E DESCE

De 1999 a 2001, houve uma redução de aproximadamente 40% no número de casos de malária na Amazônia Legal: de 635.644, em 1999, para 387.330, em 2001.

Mas, a partir de 2003, a incidência voltou a subir. Atingiu o pico em 2005, quando foram registrados 603.559 casos da doença, valor próximo ao observado em 1999. Desde então, o Ministério da Saúde priorizou novamente o combate à doença.

Brito afirma que “alterações no meio ambiente” explicam o pico de casos em 2005. “Em algumas, por exemplo, foram criados tanques de água para piscicultura”, afirma o coordenador do programa. “Isso aumentou o número de criadouros para o mosquito.”

O pesquisador da UnB pondera que isso só explica parte do aumento. “Os tanques aumentaram a incidência em Cruzeiro do Sul (no Acre), por exemplo”, explica Tauil. “Mas, em outras cidades, diminuiu a prioridade dada ao programa de combate à malária.” O pesquisador alerta que é necessário perseverar no combate ao vetor e não se contentar com os resultados já obtidos. “Se não, a incidência cresce.”

O ASMQ foi produzido por Farmanguinhos em parceria com a DNDi. Veja aqui a notícia na íntegra.

Fonte: O Estado de São Paulo
Assessoria de Comunicação

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