DNDi na imprensa
Folha de São Paulo [08 de junho de 2005]
Campanha cobra verba contra doença de 3º Mundo
Por Fernanda Mena da sucursal do Rio
Leishmaniose, malária, doença de Chagas e doença do sono. Em tempos de epidemia de obesidade, remédio para disfunção sexual e combate à calvície, enfermidades como essas parecem coisa do passado. Mas atingem principalmente países em desenvolvimento e atraem cada vez menos o interesse da indústria farmacêutica.
Para reverter esse desequilíbrio, foi lançada ontem no Rio, Londres e cidades da áfrica e da ásia uma campanha internacional para responsabilizar governos e estimular o investimento público em remédios e diagnósticos das chamadas doenças negligenciadas.
A Iniciativa de Medicamentos para Doenças Negligenciadas é uma entidade que reúne institutos públicos de pesquisa, como o brasileiro Fiocruz e o francês Instituto Pasteur, além da ONG Médicos sem Fronteiras, cujos estudos indicam que 90% da verba para investigações farmacológicas visa problemas que atingem só 10% da população mundial.
O objetivo da entidade é estimular governos no investimento público para pesquisa e desenvolvimento de tratamentos contra doenças como malária, doença de Chagas e leishmaniose.
Segundo a iniciativa, Aids e tuberculose também exigem mais investimentos. "Muitas pessoas continuarão morrendo de doenças que afetam as populações pobres caso os governos não estipulem prioridades internacionais de pesquisa", diz o diretor-executivo do grupo, Bernard Pecoul. A campanha colherá assinaturas para pressionar países e organismos internacionais.
Para o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, o "Brasil não negligencia essas doenças". Segundo ele, só em 2004, o governo investiu mais de R$ 91 milhões em vigilância, prevenção e controle das chamadas doenças negligenciadas no país. Informações em www.dndi.org.br e www.researchappeal.org.
Fonte: Folha de São Paulo