Home / Centro de documentação / DNDi na imprensa / Cientistas cobram recursos para doenças negligenciadas

DNDi na imprensa

Reuters [08 de junho de 2005]
Cientistas cobram recursos para doenças negligenciadas
Por Reuters

LONDRES (Reuters) - Dezesseis prêmios Nobel, além de médicos, cientistas e organizações humanitárias, cobraram nesta quarta-feira um plano global para o desenvolvimento de drogas contra doenças negligenciadas que matam milhões entre as populações mais pobres do mundo. Reivindicando um fundo de 3 bilhões de dólares por ano, a Iniciativa por Drogas para Doenças Negligenciadas (DNDi, na sigla em inglês) afirmou que as principais empresas farmacêuticas do mundo não investem em possíveis curas para doenças como malária e tuberculose porque esses remédios não dariam lucro. "Isso não é luxo. Isso é crucial para o futuro da humanidade", disse John Sulston, pioneiro no estudo do genoma humano, à imprensa.

"Precisamos de um esforço articulado. Precisamos da liderança coletiva dos governos", acrescentou o ganhador do Prêmio Nobel.

O mundo gasta mais de 100 bilhões de dólares por ano em pesquisa médica e desenvolvimento de drogas, mas menos de 10 por cento é gasto para os 90 por cento dos problemas de saúde que atingem a África, a Ásia e a América Latina, segundo os organizadores da campanha.

"Há uma urgência em corrigir o desequilíbrio fatal do atual modelo de desenvolvimento de medicamentos", afirmou o diretor da campanha, Bernard Pecoul. "Estamos falando de cerca de 14 milhões de mortes por doenças infecciosas a cada ano."

CHAMADO AO G8
Pecoul fez um apelo para que os líderes do G8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia) declarem guerra contra as doenças que afetam o mundo em desenvolvimento, na reunião que terão na Escócia, na semana que vem.

Isso não seria apenas por caridade, mas também por interesse próprio. "As doenças estão viajando pelo mundo da mesma forma que as pessoas viajam pelo mundo", afirmou a especialista em diagnósticos Helen Lee. "Você tem os Médicos sem Fronteiras. Essas são doenças sem fronteiras", disse.

Mas investir dinheiro não seria o bastante. A fechada indústria farmacêutica teria que permitir a livre troca de informações sobre drogas que estão sendo pesquisadas.

Pecoul cobrou incentivos para a indústria com o objetivo de abrir portas e persuadi-la a avançar no desenvolvimento de drogas contra doenças estranhas ao mundo desenvolvido. Lembrando que dois medicamentos contra a malária têm comercialização esperada para o ano que vem, Pecoul afirmou que não está reivindicando uma revolução, e sim uma evolução acelerada.

"A reação continua insuficiente, com um envolvimento apenas marginal dos governos mais ricos", disseram os organizadores da campanha em nota.

Entre os participantes da campanha também estão Stephen Lewis, representante especial da ONU para o combate à Aids, a escritora sul-africana Nadine Gordimer, Nobel de Literatura, e Tido von Schoen-Angerer, diretor de pesquisa e desenvolvimento da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras.

Eles querem que os líderes mundiais, que participam na próxima semana da cúpula do G8 na Escócia, priorizem as pesquisas sobre doenças negligenciadas. Além de dinheiro, pedem leis que incentivem tais pesquisas, liberalizando a questão das patentes, e marcos regulatórios que acelerem a fabricação de medicamentos essenciais.

O apelo internacional também foi lançado em Nova Délhi, Genebra, Kuala Lampur, Paris, Nairóbi, Rio de Janeiro e Toronto. Uma ação mundial, cujos resultados serão apresentados no ano que vem, pretende recolher assinaturas e ampliar o apoio de cientistas, pesquisadores, do público em geral e de personalidades para pressionar os governos a tomar ações concretas em relação a essas doenças.

Fonte: Reuters
Assessoria de Comunicação

DNDi América Latina

Rua Santa Heloisa, 5
Rio de Janeiro-RJ
Brasil
22460-080
+ 55 21 2215-2941
press@dndi.org.br
SiteMap | Termos e Condições | Privacidade | @ 2010 DNDi Todos os direitos reservados