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DNDi na imprensa

BMJ [19 de maio de 2010]
Resolução da Assembléia Mundial de Saúde (AMS) sobre a doença de Chagas não deve ignorar o diagnóstico e tratamento, dizem organizações sem fins lucrativos
Por Peter Moszynski 

Londres

O novo movimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o controle da doença de Chagas será uma "oportunidade perdida" caso se concentre apenas na prevenção e deixe de lado o diagnóstico e tratamento, afirmam as organizações sem fins lucrativos de saúde Médicos sem Fronteiras (MSF) e Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi).

A tripanossomíase americana, mais conhecida como doença de Chagas, afeta cerca de 18 milhões de pessoas no mundo anualmente. E mata, por ano, até 50 000 pessoas, que muitas vezes não sabiam que tinham a doença.

Na América Central e do Sul, a doença mata mais pessoas do que qualquer outra infecção parasitária, incluindo a malária. O aumento da migração representa um número crescente de casos sendo reportados nos Estados Unidos, Europa, Austrália e Japão.

Ocorrendo em uma fase aguda e uma crônica, a doença é causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, e é transmitida principalmente pelos insetos conhecidos como "barbeiros". Os tratamentos existentes têm uma taxa de cura insatisfatória e podem ter efeitos colaterais tóxicos.

A DNDi visa desenvolver "tratamentos acessíveis, seguros e eficazes para crianças e adultos, que, idealmente sejam capazes de tratar ambas as fases da doença de Chagas" (BMJ 2009; 339: b4084, doi: 10.1136/bmj.b4084).

Esta semana a AMS deverá aprovar uma resolução sobre o controle e eliminação da doença de Chagas. As duas organizações dizem que a intenção da resolução é "controlar e eliminar a doença de Chagas, mas não há indicação clara sobre diagnóstico, tratamento a partir de quando os pacientes são diagnosticados, ou a pesquisa e desenvolvimento (P&D) de novas ferramentas."

"Apesar de ser um passo na direção certa", dizem elas, a resolução "carece de elementos essenciais na luta contra a doença de Chagas", pois atualmente se concentra apenas na prevenção. Eles estão convocando os Estados membros a incluir a integração de tratamento e diagnóstico nos cuidados básicos, e maiores esforços em pesquisa e desenvolvimento.

"Depois de mais de 10 anos de experiência, MSF tem tratado com sucesso milhares de pacientes com a doença de Chagas. Gostaríamos de ver a mesma importância dada às estratégias de prevenção para o tratamento e diagnóstico", disse Fran Román, vice-presidente da organização. "Se querem chegar a todos os pacientes, crianças e adultos, os países afetados devem concordar em integrar o diagnóstico e tratamento ao nível de saúde básico, tanto na fase aguda como na crônica da doença."

A declaração conjunta das organizações afirma que "medidas para aumentar a resposta médica devem ser tomadas para ampliar o diagnóstico, tratamento e acesso dos pacientes aos cuidados médicos e impulsionar a P&D de novas ferramentas."

As duas organizações convocam os Estados membros a reforçar as cadeias de fornecimento dos tratamentos existentes para que eles estejam disponíveis para as equipes de saúde e programas nacionais, e promover a P&D, que é "praticamente inexistente". Elas também solicitam o foco em um melhor tratamento (menos tóxico, mais curto, e mais eficiente em ambas as fases da doença para crianças e adultos), ferramentas de diagnóstico que foram adaptadas para cenários com recursos limitados, e um teste de cura para controle da doença.

"Os pacientes de Chagas foram esquecidos porque eles são pobres e estão fora do interesse dos principais mercados farmacêuticos, mas a ciência existe para desenvolver melhores tratamentos e ferramentas de diagnóstico para todos", disse Bernard Pécoul, Diretor-Executivo da DNDi.

"Os primeiros passos para alcançar progressos a nível internacional são através de financiamentos sustentáveis e previsíveis, e forte apoio do setor público. Os delegados da AMS têm agora a oportunidade de avançar e tomar medidas concretas".

 

 


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