
São necessários mais recursos sustentáveis
A pesar do estabelecimento de Parcerias para o Desenvolvimento de Produtos, como a DNDi, e dos novos compromissos com doadores públicos e privados, o financiamento de ideias inovadoras científicas e médicas para as doenças negligenciadas, que afetam de forma desproporcional ao mundo em desenvolvimento, continua sendo inadequado.
A lacuna existente no que concerne ao financiamento de P&D resulta especialmente grave no caso das doenças tropicais extremamente negligenciadas uma vez que não representam um mercado comercialmente atraente para os desenvolvedores de produtos farmacêuticos. Para garantir que os esforços sejam fortalecidos e sustentáveis, é necessário que tanto os governos como o setor privado realizem maiores investimentos e incentivem a criação de mecanismos inovadores de financiamento destes projetos.
O financiamento global para a P&D das doenças negligenciadas (incluindo a malaria, a tuberculose e o HIV/Aids), totalizou, em 2007, US$2.5 bilhões. Deste valor, somente US$125 milhões – menos de 5% – destinaram-se às doenças causadas por cinetoplastidas (doença do sono, leishmaniose e doença de Chagas) nas quais a DNDi centra seus esforços.
Mais informações (em inglês): G-Finder report 2009 "New times, new trends"
Tornando possível o entorno para P&D
A liderança pública é necessária, por um lado para implementar mudanças no sentido de oferecer apoio ao desenvolvimento de ferramentas novas e essenciais para a saúde que garantam o acesso equitativo para as populações afetadas. Por outro lado, para contribuir ao desenvolvimento de medidas inovadoras baseadas nas necessidades existentes como, por exemplo, políticas de gestão de propriedade intelectual que incentivem a P&D, transferência de tecnologia e um entorno que possibilite e fortaleça as capacidades de pesquisa nos países em desenvolvimento.
Embora ainda, não tenha surgido uma solução sustentável e abrangente para o problema da P&D das doenças negligenciadas, os governos, os especialistas e a indústria propuseram uma série de novas ideias que incluem tanto mecanismos de ativação do financiamento das atividades de P&D, como incentivos para estimular o investimento do setor privado.
Em 2006, a OMS criou um grupo de trabalho integrado por peritos para examinar a coordenação e as finanças de P&D, assim como as novas propostas para estimular a inovação relacionada com as doenças do Tipo II (que atingem tanto os países ricos como os pobres, como por exemplo, o HIV/Aids e a tuberculose) e do Tipo III (que atingem de forma quase exclusiva e esmagadora os países em desenvolvimento, como por exemplo a doença do sono e a cegueira do rio, na África).
Todos os diálogos que estão sendo realizados resultam fundamentais para seguir adiante e medidas concretas devem ser tomadas para poder apresentar novos tratamentos aos pacientes que tão desesperadamente os necessitam.
Organizações se unem pela doença de Chagas
Em 2 de outubro de 2009, em Los Angeles, Médicos Sem Fronteiras (MSF), a iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi), e o Programa de Saúde Global da UCLA organizaram um simpósio de um dia sobre a doença de Chagas, reunindo pesquisadores clínicos, empresas encarregadas do desenvolvimento de medicamentos, profissionais de saúde, responsáveis por formular políticas, financiadores e ativistas. Os participantes da conferência concordaram que há necessidade urgente de ampliar o diagnóstico e o tratamento da doença e intensificar a pesquisa e desenvolvimento (P&D) para melhores ferramentas médicas. E fizeram uma chamada pública por mais ação contra a doença de Chagas.
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